Observar: a base para qualquer operação e tomada de decisão

O ato de olhar com atenção, vigiar e adquirir conteúdo, somado à capacidade que temos de memorizar, gravar e/ou armazenar de maneira organizada e à nossa habilidade de estudar e descrever resume a ação de observar. Há quem defina essa ação como “Observar – Memorizar – Descrever” ou, simplesmente, OMD.

Isso acontece todos os dias em nossas vidas. Mesmo que intuitivamente, estamos sempre observando, seja pra nós mesmos, seja para outrem. Quando observamos para nós mesmos, nossas conclusões são “descritas” em nossa mente. Quando observamos para uma organização, empresa ou instituição, nossas inferências são expressas para fora da nossa mente das mais variadas formas e em diferentes mídias.

Um quadro que retrata uma cena é uma forma de expressar a visão que o artista tem do que observa e/ou sente. Um relatório de descreve um cenário também é uma forma de expressar a visão obtida como decorrência de uma observação. Nunca é demais lembrar que a visão depreende da percepção e do conhecimento que o autor tem do cenário observado. Um exemplo que comprova essa afirmação está nas diferentes descrições obtidas de um mesmo cenário observado por diversas pessoas, ainda mais se algumas delas são portadoras de necessidades especiais (ex.: um cego descreve um mesmo cenário percebido a partir dos seus sentidos, de maneira diferente que um não cego).

Se olharmos as organizações como “seres vivos”, podemos inferir que a visão que elas têm dos cenários observados, sejam eles mercados-alvo, sejam eles inovações ou outro objeto de estudos, é a soma das visões que o seu capital humano expressa, em maior ou menor grau de intensidade. Assim, essas visões são as bases da orientação que os líderes têm para a tomada de decisões.

Mas como uma organização, seja ela uma empresa ou instituição, pode observar diante do excesso de conteúdos disponíveis? Existem as empresas que decidem reduzir os objetos de estudo (ex.: mercados-alvo); há quem opte por intuir (decidir sem orientação e/ou visão clara); e há quem escolha instrumentalizar seu processo de observação. Essa instrumentalização aponta para os observatórios.

Os observatórios são organizações intraempreendedoras que, via de regra, associam ações de inteligência e de comunicação. Isso porque acompanhar a imagem percebida, a reputação e a eficácia da comunicação da proposição de valor da sua empresa ou instituição é, igualmente, relevante no contexto do cumprimento da sua missão com crescimento sustentável. Também, em parte, porque orientar por meio de recomendações é tão ou mais importante do que apresentar visões, isto é, a orientação sugere o que decidir diante das visões obtidas a partir da observação e só a inteligência é capaz de orientar.

Se as operações, de qualquer natureza, se constituem de ações decididas previamente e as decisões requerem orientação que se fundamenta nas visões obtidas a partir da observação, então é irrefutável a afirmação segundo a qual a observação está na base da operação. Mas como funcionam os observatórios? Qual é a sua cadeia de valor? Como podem ser instrumentalizados?

Em sua operação, um observatório pode produzir:

• visão sistêmica atualizada que possibilita à empresa ou instituição acompanhar, em tempo real, seus alvos, dentre eles os mercados, concorrência, pessoas, hipóteses e cenários – trata-se da “consciência situacional”;
• representação gráfica de síntese que busca reduzir realidades, isto é, representá-las em imagens que permitem visualizar por diferentes perspectivas, um mesmo objeto de estudos;
• documento de visão, talvez a principal entrega de um observatório, ele expressa a visão obtida sobre um alvo (objeto de estudos); e
• documento de inteligência que materializa uma recomendação, tomando por base a visão obtida e oferecendo alternativas de decisão baseadas em experiências anteriores e boas práticas reconhecidas, adicionando o impacto e a repercussão de cada alternativa.

Para isso, 10 passos são fundamentais:

1. coletar conteúdos pelas vias panorâmica, direcionada ou específica;
2. organizar e armazenar conteúdos segundo definições previamente modeladas;
3. qualificar elementos já estruturados, quando for o caso, dependendo da demanda submetida ao observatório;
4. contextualizar conteúdos já organizados segundo domínios do conhecimento previamente definidos e caracterizados;
5. monitorar conteúdos, especialmente acontecimentos e/ou ocorrências (visão sistêmica atualizada – consciência situacional);
6. analisar conteúdos e inferir, formando cenários interpretados (representações gráficas de síntese);
7. expressar conteúdos e inferências (visões);
8. compilar boas práticas e experiências similares pregressas;
9. gerar recomendações e projetar seus impactos e repercussões; e
10. expressar conclusões (orientações).

Cada passo dessa cadeia de valor é executado mediante norteamento de um ou mais processos que, geralmente, são modelados em consonância com o dia a dia da(s) organização(ões) beneficiária(s). Há que se considerar, como já afirmado, o excesso de conteúdos existentes, especialmente nas fontes noticiosas, blogs, web (sites das empresas e instituições), listas de discussão e mídias sociais.

Para rodar os processos e, consequentemente a cadeia de valor dos observatórios, é preciso instrumentalizá-los. É aí que entram os chamados Sistemas Baseados em Conhecimento (SBCs). Eles foram concebidos para potencializar a produtividade e a qualidade das entregas geradas pelas pessoas durante a execução de cada um dos processos. Existem algumas ótimas opções de SBC no mercado, algumas já robustas pela experiência vivida pelas empresas que implantam soluções dessa natureza. E você? Vai continuar tomando decisões com base na sua intuição ou reduzindo mercados-alvo? Em um futuro bem próximo, com os mercados saturando-se cada vez mais, pode ser arriscado tornar a empresa refém da sua intuição.


Uma resposta para “Observar: a base para qualquer operação e tomada de decisão”

  1. […] eles necessitam dos conteúdos mantidos por esses sistemas para serem mais assertivos. Assim, se sua organização necessita tomar decisões em variadas instâncias e se essas decisões são relevantes para o crescimento sustentável da empresa, então você […]

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