O que aprendemos na Futurecom 2018

Tive a oportunidade de estar nos dois primeiros dias da edição de 20 anos da Futurecom 2018, que aconteceu há poucos dias em São Paulo. Em diversos outros eventos como esse dos quais já participei, sobretudo no passado, ouvi dizer que toda empresa será, no futuro, um negócio de TI. Que a tão falada transformação digital não é mais opção, é compulsória. Ao comparar o discurso anterior e o atual, entendo que nesse momento essa transformação está se tornando tangível e sendo discutida na prática pelas organizações. Termos que fazem parte desse universo como big data, data driven, IoT e machine learning, por exemplo, começam a ser melhor entendidos na prática e a aplicabilidade vem sendo discutida cada vez com mais exemplos.

Esse ano foi a inteligência artificial que permeou a maioria dos debates nos dois dias de congresso, e o que ouvi foi que ela, advinda de máquinas e não de humanos, estará presente de alguma forma em todas as empresas daqui pra frente — indústria e provedores de serviço também estão incluídos.

Em um dos painéis inclusive, foi citada uma pesquisa do Gartner que sinaliza: atualmente apenas 5% das empresas estão investindo em inteligência artificial porém em 2019, esse número deve crescer pra 20%. O dado confirma que o assunto está mesmo em alta entre os executivos de empresas de tecnologia. No entanto, o desafio continua em monetizar esse investimento. O custo pode ser facilmente conhecido, a receita não.

Futurecom 2018: big data e analytics

Quando se trata de big data e analytics, a questão não é tão diferente. O mercado movimenta milhões, mas poucos conseguem sucesso com seus projetos. E não somente no aspecto financeiro, mas também de benefícios em relação à produtividade, retenção de clientes e agilidade nos processos, que são mais difíceis de serem percebidos.

No ano passado a consultoria Frost & Sullivan apontou que o mercado brasileiro de big data & analytics fechou com um volume de U$ 1,3 bilhão de dólares, quase 50% de todo o mercado latino americano. No entanto, o Gartner relata que 60% dos projetos dessa área falham já durante a fase de implementação. Ou seja, há um gap entre o potencial de mercado e a executabilidade.

Nos dois casos há espaço para desenvolvimento, crescimento e resultados em projetos; Todavia é preciso aprender a torná-los factíveis e eficazes. Nesse contexto, a discussão em cima de cases e a apresentação de startups de sucesso que encorajam e tangibilizam o discurso são extremamente importantes e tanto a feira quanto o congresso trouxeram conteúdos nesse sentido.

Além de algumas palestras no estilo “pitch”, grandes empresas também apresentaram seus projetos de parceria,  aceleração e aproximação com esse mundo “startup”, focado em agilidade e inovação. Espaços dedicados a aceleradoras e pequenas empresas inovadoras também foram previstos na feira e chamavam a atenção por serem muitos, apesar de pequenos.

Conectividade: característica onipresente

Uma área específica da feira foi dedicada à IoT. Entre os dispositivos inteligentes estavam um caminhão, um trator e até uma vaca conectada, demonstrando a aplicação mercadológica da Internet das Coisas, principalmente junto à tecnologia 5G. Fala-se que a quinta geração de celulares estará no Brasil com todo o seu potencial apenas em 2025, porém iniciativas nesse sentido já temos por aqui. A evolução da conexão é necessária para suportar o volume de dados que vem por aí e precisa estar preparada para conectar máquinas, coisas e pessoas.

Em relação a mercado, chamou a atenção a quantidade de soluções para o agronegócio, cidades inteligentes e saúde — nessa ordem. Em Telecom, as operadoras, velhas conhecidas da Futurecom por seus estandes imponentes, estavam mais tímidas e também focadas em tecnologias inovadoras, não mais nas soluções de telecomunicações puras e simples.

A presença da China também merece destaque. Com estandes pequenos e claramente identificados, havia muito hardware chinês. Aqui vale uma menção especial à linha voltada para fibra óptica, com cabos, amplificadores e conversores.

Trago da Futurecom 2018 a percepção de que o discurso em torno do futuro das telecomunicações, até então principal foco da feira, se tornou mais abrangente e similar a outros eventos da área: adoção de novas tecnologias, modelos de trabalho inovadores, remodelagem de processos e revisão da cultura organizacional diante dos rápidos e constantes avanços tecnológicos. Ou seja, é cada vez mais evidente que a transformação digital não é somente uma questão de TI mas sim, de sobrevivência do negócio.


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